sábado, 2 de fevereiro de 2008

Cântico dos Cânticos - III

(Pintura de Jacques-Louis David. Mars Disarmed by Venus and the three Graces, 1824.
Oil on canvas, 308 x 262 cm. Musées Royaux des Beaux-Arts, Brussels)


III

Ao terminar d´augusto canto,
Como o mirto o sol busca,
Os sedentos olhos se procuravam.
Ao seu cruzar, dela, um ai escapou.

Guerreira destra tocou-lhe a face,
D´aurora cor rosada.
Enxugou da lágrima o rosto.

Tocando seus lábios no sentir dos contornos,
Ergueu o rosto que pendia envergonhado.
Como o colibri da flor suga o doce néctar,
Beijou-lhe a boca bebendo vida.

É vida que buscava; agora tinha.
Qual cipreste lança raízes da Gaia terra,
Enlaçou-lhe o ventre c´os braços.

Num suspiro, ela tremeu.
Incenso d´Amor encheu a noite
Turíbulo era os corpos amantes.
Era da Vênus oblação.

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